quarta-feira, 14 de dezembro de 2016

Operação investiga jornalistas por extorsão e lavagem de dinheiro no AC

Por: Quésia Melo Do G1 AC
Operação Zero Hora foi deflagrada na manhã desta segunda-feira (12). Jornalistas teriam lucrado R$ 500 mil com extorsões, segundo delegado.
Polícia apreendeu euros, dólares, celulares, computadores e carros durante Operação Zero Hora (Foto: Quésia Melo/G1)
A Polícia Civil apreendeu celulares, computadores, cinco carros, 2 mil euros, 2,7 mil dólares e R$ 900 durante o cumprimento de três mandados de busca e apreensão na Operação Zero Hora nesta segunda-feira (12). A ação, iniciada em 2012, investiga o proprietário e também o repórter de um site local por extorsão, extorsão continuada, injúria, difamação e lavagem de dinheiro.
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Ao G1, o presidente do Sindicato dos Jornalistas do Acre (Sinjac), Victor Augusto, informou que o órgão ainda vai apurar o caso e checar todas as informações necessárias para poder se posicionar sobre a operação.

O G1 tentou contato com os investigados, mas não obteve sucesso até a publicação desta matéria. "Ainda estamos fazendo um levantamento para entender melhor toda essa situação e poder se pronunciar corretamente", disse Augusto.

Os jornalistas devem cumprir medidas cautelares, como permanecer longe das vítimas e testemunhas durante as investigações, ou podem ser presos. Os dois compareceram nesta segunda na Secretaria de Polícia Civil acompanhados de advogados e permaneceram em silêncio, segundo o delegado Robeth Alencar, responsável pela operação.

Alencar explica que as investigações começaram em 2012, quando um deputado procurou a polícia e relatou que o proprietário do site entrou em contato e propôs um acordo para que ele fosse promovido politicamente.

O proprietário do site declarava anualmente R$ 30 mil de lucro, mas recebiam mais de R$ 300 mil por ano, segundo a polícia. A página teria contratos lícitos de propaganda, mas a maior parte do dinheiro era fruto de extorsão. Nos últimos quatro anos, os investigados arrecadaram mais de R$ 500 mil.

"O político não teria mostrado interesse e passou a ser difamado por várias matérias publicadas no site, incluindo uma em que o irmão dele teria sido preso por tráfico e também diz ter sido ameaçado com um boletim de estupro. Identificamos todos os atos preparatórios para essa extorsão, todos os atos da extorsão e os pós atos onde tentavam fazer acordos com o deputado para que não fossem denunciados", explica.
Cinco carros foram apreendidos durante operação, segundo a polícia todos são frutos de extorsão e lavagem de dinheiro (Foto: Quésia Melo/G1)
Após instaurarem o inquérito, a polícia descobriu mais de 20 vítimas, entre políticos estaduais e federais e empresários, que também sofreram extorsão. O valor cobrado pelos investigados variava de R$ 2 a R$ 20 mil e poderiam chegar ao montante de R$ 100 mil por mês.

Os pagamentos eram feitos através de benefícios como empregos públicos e favores políticos. A polícia passou a produzir provas a partir de interceptações telefônicas e quebra de sigilo de duas contas bancárias.

"Inclusive, o site não está no nome do proprietário. Nós conseguimos provar a lavagem de dinheiro. Todo o dinheiro adquirido nessas extorsões circulavam em contas de familiares dos investigados. Além da extorsão por difamação, também ameaçavam políticos que tentassem quebrar contrato de divulgação que mantinham com eles e denegriam a imagem dessas pessoas", diz.

Todos os veículos faziam parte da lavagem de dinheiro, de acordo com o delegado. Um dos carros, segundo ele, estava no nome do filho do proprietário do site. Há ainda outros valores pagos em dinheiro e não chegaram a ser contabilizados financeiramente, o que pode aumentar o valor arrecadado com as extorsões. A Justiça não determinou o fechamento do site.

"Eles chamavam de acordo o que seria a extorsão e o fato, segundo as vítimas, era conhecido entre os políticos e empresários. A Justiça entendeu que não havia motivo para fechar o site, até porque podem abrir outro no nome de outra pessoa. Quero deixar claro que respeitamos a imprensa e trabalhamos em parceria com a imprensa. O que aconteceu foi um fato isolado e deve ser investigado", finaliza.