sábado, 11 de março de 2017

Ex-companheiros lideram nº de casos de violência doméstica em Rio Branco

Mulheres têm procurado mais a
delegacia para denunciar agressões, diz
delegada (Foto: Reprodução/TV Globo)
Em 2016, foram instaurados 1.170 inquéritos contra ex-companheiros.
Dados da Deam mostram que tiveram 2.470 casos de violência doméstica.

Em 2016, mais de dois mil inquéritos policiais foram instaurados por violência doméstica em Rio Branco. Os dados mostram que os ex-companheiros e ex-maridos são os mais agressivos com 1.170 inquéritos policiais instaurados. Dos 2.470 casos, 306 são flagrantes e os demais foram abertos após as vítimas procurarem a delegacia.

O balanço é da Delegacia Especializada em Atendimento à Mulher (Deam), localizada no Segundo Distrito da capital acreana. Os dados mostram que houve uma redução de mais de 17% no número de inquéritos instaurados por violência doméstica entre 2015 e 2016, quando houveram 3.003 e 2.470, respectivamente.

Aparecem ainda no índice de grau de parentesco os companheiros ou maridos. São ao todo 798 inquéritos contra os atuais cônjuges das mulheres. Logo em seguida aparece os ex-namorados com 128 casos. O parentes que menos agrediram as mulheres em 2016 foram os netos.

A coordenadora da Deam, delegada Juliana de Angelis, falou que na maioria dos casos os agressores não aceitam o fim do relacionamento e agridem a ex-mulher. A média de idade das mulheres vítimas e dos agressores é de 22 a 30 anos.
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“Quase na totalidade, os agressores são homens e, dentro desses, a maioria é de ex-companheiros. Temos ainda também os ex-namorados e até filhos. Foram mais de 100 casos que filhos bateram nas mães”, acrescentou.

A delegada ressaltou ainda que o número de portarias –casos em que a mulher procura a delegacia espontaneamente para denunciar o marido – tem crescido significativamente. No total, mais 80% dos inquéritos foram instaurados após denúncias das mulheres.

“É a porta de entrada para que a mulher possa romper com essa violência para a gente atendê-la e fazermos os outros encaminhamentos para os demais órgãos necessários com acompanhamento psicológico, social e hospitalar. Muitos casos que temos vistos são de partes reiteradas. Mulheres que já procuraram uma vez e como não teve a situação resolvida precisa novamente de outra ocorrência”, argumentou.
Até julho de 2016, quatro mulheres foram mortas em Rio Branco (Foto: Arquivo Pessoal)
Mortes. Os dados de assassinatos com mulheres vítimas foram contabilizados até julho de 2016 pela Deam. A partir dessa data, os homicídios passaram a ser investigados pela Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP). Até julho do ano passado, a delegada Juliana diz que foram investigadas quatro mortes na Deam. Destas, três ocorrem no ambiente familiar.

“Tiveram mais casos, mas não foram investigados por nós. Os números são apenas da nossa unidade”, ressaltou.

O balanço aponta ainda a região da cidade mais violenta para as mulheres. Segundo o estudo, a região do Segundo Distrito acumulou o maior número de ocorrências registradas em 2016, com 756. Logo em seguida, vem a região da 4ª Regional, que corresponde os bairros Calafate, Esperança, Portal a Amazônia, Jequitibá, entre outros. A região menos violenta para as mulheres é a da 1ª Regional.

“São bairros de grande vulnerabilidade social. Tem os bairros do Taquari, Belo Jardim, Cidade do Povo. São bairro com pessoas humildes”, finalizou.

Aline Nascimento Do G1 AC