sábado, 4 de março de 2017

No Acre, Justiça vai fazer mutirão de audiências para semana da mulher

Juíza Shirley Hage falou sobre programação para a semana da mulher na Vara de Proteção à Mulher, em Rio Branco (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre)
Programação vai ser realizada de 6 a 10 de março no Fórum Criminal. 
Comunidade também vai poder participar de palestras e tirar dúvidas.

Em comemoração ao Dia Internacional da Mulher, comemorado em 8 de março, a Vara de Proteção à Mulher decidiu fazer um mutirão de audiências de julgamentos, além de palestras educativas e de conscientização, atendimento médico, psicológico e social. A programação começa na segunda-feira (6) e segue até sexta (10), de 9h às 13, no Fórum Criminal, na cidade da justiça, em Rio Branco.

Conforme o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC) dados da vara mostram que o atualmente mais de 4 mil processos estão em andamento e a 400 novos processos são recebidos mensalmente. A juíza Shirley Hage, titular da Vara de Proteção à Mulher, explica que a programação em homenagem à mulher ocorre junto com a Semana Pela Paz em Casa que é promovida em todo o Brasil e foi criada pelo Conselho Nacional de Justiça (CNJ).

"Durante a semana estaremos disponíveis parar tirar qualquer dúvida. Esse atendimento é uma forma de valorização da mulher e também teremos alguns brindes", disse Shirley em entrevista ao jornal.

A juíza afirma que mais mulheres têm denunciado as situações de agressão, mas destaca que muitas ainda possuem receio de denunciar, seja por causa da família, filhos ou dependência econômica e psicológica. Quanto questionada sobre os principais desafios enfrentados no combate à violência contra a mulher, Shirley afirma que é necessário mudar a cultura da violência.

"Os casos mais comuns são de lesão corporal, ameaça e injúria. O principal desafio acredito que é tentar mudar a cultura da violência, tentar fazer com que a mulher se conscientize de que não deve aceitar ser violentada, seja fisicamente ou moralmente. E também coloco como um dos desafios a mudança no comportamento do homem em relação à mulher, que ele passe a respeitá-la mais", destaca.

Os casos de reincidência por parte do ex, mesmo após a medida protetiva da Justiça, reduziu, segundo a juíza. Ela afirma que a vara possui uma equipe multidisciplinar que acompanha as mulheres e também os companheiros. Como proteção à mulher pode usar o botão do pânico, além do parceiro ser obrigado a usar tornozeleira eletrônica ou até ser preso.

"A equipe atende mulheres e também os homens, pois percebemos que eles também precisam desse atendimento para tentar mudar o comportamento que as vezes eles têm.

Colaborou Aline Vieira, da Rede Amazônica Acre.