quarta-feira, 12 de abril de 2017

Morre o ex-Deputado Federal e presidente do PP no Acre João Tota Soares

Faleceu na manhã desta quarta-feira (12) de Abril o ex-Deputado Federal João Tota Soares de Figueiredo. Ele estava internado há 40 dias no hospital Sírio Libanês em São Paulo.

Tota foi ex-deputado federal por quatro mandatos e ex-prefeito de Cruzeiro do Sul, atualmente era presidente do Diretório Regional do Partido Progressista (PP) no Acre. O Partido Progressista lamentou profundamente a irreparável perda de um de seus maiores expoentes. O ex-deputado deixa Maria da Vitórias, ex-deputada estadual deixa também três filhos: Tibério Graco, João Tota Filho e Ítalo César.

O Senador da República pelo PP, Gladson Cameli se mostrou bastante comovido e disse, "Em meu nome e de minha família, manifesto publicamente nosso profundo pesar pelo falecimento do João Tota Soares de Figueiredo, um homem que marcou seu tempo e a história da sua família e do povo acriano, principalmente os menos favorecidos, através de sua luta em defesa da cidadania e dignidade de todos. Tenho a honra de declarar que a dedicação, zelo e compromisso de João Tota como homem público, inspirou-me a acreditar na política como instrumento de trabalho e diligência na busca dos direitos da sociedade acriano e brasileira como um todo" declarou Cameli.

QUEM FOI JOÃO TOTA

João Tota Soares de Figueiredo nasceu em Mãe D’Água (PB) no dia 20 de outubro de 1940, filho de Luís Furtado de Figueiredo e de Gregória Simões Ribeiro.

Formado pela Escola de Agronomia de Areia (PB), em 1967, transferiu-se para o Acre em 1970, assumindo a função de delegado agropecuário em Cruzeiro do Sul até 1975, quando foi nomeado prefeito do município, na legenda da Aliança Renovadora Nacional (Arena), partido de apoio ao regime militar instaurado no país em abril de 1964.

Com o fim do bipartidarismo, em novembro de 1979, filiou-se ao Partido Democrático Social (PDS). Foi confirmado na prefeitura, onde permaneceu até 1985, quando a eleição de Tancredo Neves e José Sarney, no Colégio Eleitoral, pôs fim ao ciclo de presidentes militares e o Congresso restabeleceu eleições diretas nas capitais e municípios considerados áreas de segurança nacional, como era o caso de Cruzeiro do Sul.

Em outubro de 1990 elegeu-se deputado federal pelo Acre, assumindo o mandato em fevereiro de 1991. Titular da Comissão de Defesa do Consumidor, Meio Ambiente e Minorias, na sessão que a Câmara realizou no dia 29 de setembro de 1992 votou a favor do impeachment do presidente Fernando Collor de Melo, acusado de crime de responsabilidade por ligações com um esquema de corrupção liderado pelo ex-tesoureiro de sua campanha eleitoral, Paulo César Farias. Afastado da presidência logo após a votação na Câmara, Collor renunciou ao mandato em 29 de dezembro de 1992, pouco antes da conclusão do processo pelo Senado, sendo efetivado na presidência o vice Itamar Franco, que já vinha exercendo o cargo interinamente desde o dia 2 de outubro.

Em 1993, João Tota ingressou no Partido Progressista Reformador (PPR), resultado da fusão do PDS com o Partido Democrata Cristão (PDC). Durante a legislatura votou a favor da criação do Imposto Provisório sobre Movimentação Financeira (IPMF) e contra o Fundo Social de Emergência (FSE) e o fim do voto obrigatório.

No pleito de outubro de 1994 obteve a primeira suplência, deixando a Câmara ao término da legislatura, em janeiro do ano seguinte. Em agosto de 1995, após a fusão do PPR com o Partido Progressista, filiou-se ao Partido Progressista Brasileiro (PPB). A renúncia do deputado João Maia, acusado de haver recebido propina para votar a favor do projeto de emenda constitucional que previa a reeleição de presidente da República, governadores e prefeitos, permitiu seu retorno ao Parlamento, em maio de 1997.

Empossado, João Tota integrou-se à Comissão de Viação e Transportes. Em novembro, votou contra o projeto de reforma administrativa do governo que, ao ser aprovado, acabou com a estabilidade do servidor público.

Em outubro de 1998 elegeu-se deputado federal pela coligação do PPB com o Partido da Frente Liberal (PFL). No mês seguinte, votou a favor do projeto de reforma da previdência que fixou o teto de 1.200 reais para aposentadorias no setor público, e idade mínima e tempo de contribuição, para o setor privado. Em fevereiro de 1999 iniciou novo período legislativo na Câmara dos Deputados.

Em outubro de 2002 candidatou-se a mais um mandato de deputado federal dessa vez pelo Partido Progressista (PP). Não conseguiu se eleger, ficando apenas com a primeira suplência. Deixou a Câmara dos Deputados em janeiro de 2003, ao final da legislatura. Nesse mesmo mês, contudo, entrou com mandado de segurança, com pedido de liminar, no Tribunal Superior Eleitoral (TSE) com o objetivo de impedir a posse do deputado federal eleito Narciso Mendes (PPB), cujo registro de candidatura fora negado pelo TSE antes mesmo do pleito de 2002. Tota pediu ao TSE que anulasse o ato do Tribunal Regional Eleitoral (TRE) do Acre que diplomou Narciso. Ao mesmo tempo, solicitou que o TSE garantisse a sua diplomação e a posse na vaga. Seu pedido, contudo, foi indeferido e Narciso Mendes tomou posse normalmente, no dia 1º de fevereiro de 2003.

A situação se reverteu no dia 7 de maio de 2003, quando Narciso Mendes perdeu o mandato, acusado de se não ter se desincompatibilizado da direção da TV Rio Branco no prazo legal de seis meses exigido pela lei eleitoral. Assim, nesse mesmo mês, Tota tomou posse como deputado federal na vaga de Narciso. Licenciou-se do mandato para exercer o cargo de Secretário Extraordinário de Relação Institucional do Estado do Acre, no período de 23 de fevereiro a 31 de março de 2005, quando retomou o mandato.

Em outubro de 2006, candidatou-se à reeleição, pelo PP, mas não conseguiu se eleger. Permaneceu na Câmara dos Deputados até o término da legislatura, em janeiro de 2007.

Em 2007 o então prefeito do município de Mâncio Lima (AC), Luiz Helosman, irmão de Tota,inaugurou o estádio João Tota, conhecido popularmente como Totão. A obra foi fruto de emenda aprovada no Orçamento Geral da União durante seu último mandato como deputado federal. Através da emenda, a prefeitura municipal de Mâncio Lima recebeu cerca de R$ 1,8 milhão para a construção do estádio.

Em 2008, João Tota deixou o PP e ingressou no Partido Trabalhista Brasileiro (PTB). Na ocasião, declarou a imprensa que sua filiação ao PTB teria sido resultado de um acordo político firmado com a então prefeita de Cruzeiro do Sul, Zila Bezerra, pelo qual ficou acertado que ele seria o candidato a vice-prefeito na disputa pela reeleição. Nas eleições municipais de outubro de 2008, portanto, Tota integrou a chapa chefiada por Zila, mas não conseguiram se eleger. Obtiveram somente 8,57% dos votos válidos, sendo derrotados por Wagner Sales, do PMDB.

Após a eleição, Tota rompeu com Zila Bezerra e ameaçou deixar o PTB. Como em 2009 Zila deixou a presidência da seção estadual do partido, passando o cargo para a ex-governadora Iolanda Fleming, Tota permaneceu filiado à agremiação e é um possível candidato à Câmara dos Deputados no pleito de outubro de 2010.

Casado com Maria das Vitórias Soares de Medeiros, ex-deputada estadual, teve três filhos.
Da redação Tk News