quarta-feira, 7 de junho de 2017

Júri popular de jovem acusado de matar PM durante abordagem ocorre nesta quarta (7)

Júri ocorre nesta quarta (7) (Foto: Júnia Vasconcelos/Rede Amazônica Acre)
Ao menos 11 testemunhas devem ser ouvidas. Esposa do PM morto, Nara Aline Santos, disse que espera que a justiça seja feita.

O júri popular de Kennedy Silva Magalhães ocorre nesta quarta-feira (7) na 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Rio Branco. Familiares do cabo Alexandro dos Santos, de 36 anos, baleado durante uma abordagem policial estão no Fórum Criminal e pedem justiça. Ao menos 11 testemunhas devem ser ouvidas.

Conforme o Tribunal de Justiça do Acre (TJ-AC), a denúncia oferecida pelo Ministério Público do Acre (MP-AC), em 8 de setembro de 2016, apontou Magalhães como o responsável por cometer homicídio qualificado.

A esposa do PM, Nara Aline Santos, de 25 anos, disse que espera que a justiça seja feita. “Espero que se resolva logo e não se prolongue mais. Está todo mundo ansioso, esse júri mobilizou toda nossa família. Queremos que ele pegue a pena máxima e que fique bastante tempo preso”.

O pai do acusado, o pastor José Carlos Souza Magalhães, que é uma das testemunhas a serem ouvidas, disse que tem expectativa de que o filho não seja condenado. "Sou pastor, não sou bandido como muitos estão dizendo nas redes sociais. Infelizmente aconteceu esse acidente em frente da minha casa e queremos estamos esclarecer a verdade. Se ele [Kennedy] for inocente, como eu creio que seja, como já mostraram os exames, que ele seja inocentado. Agora se ele tiver alguma culpa eu também creio que ele deve pagar”, disse.

Entenda o caso
O cabo da PM Alexandro Aparecido dos Santos foi morto com um tiro no pescoço durante uma abordagem a três pessoas no bairro Novo Horizonte, no dia 15 de agosto de 2016. Um dos homens reagiu à ação, iniciou uma luta com policiais, conseguiu pegar uma das armas e, segundo a polícia, acabou dando um tiro que vitimou o PM.

Na época, a polícia informou que dois dos envolvidos foram presos no momento da ocorrência, incluindo o que efetuou o disparo. O terceiro homem conseguiu fugir do local. Ao reconhecer o corpo do marido no Instituto Médico Legal (IML), a mulher do cabo, Nara Aline Santos, de 25 anos, passou mal.

Após o crime, a polícia divulgou a ficha criminal do acusado. Entre os crimes descritos na ficha dele estão: tráfico de drogas, furto, furto qualificado, roubo, disparo de arma de fogo, lesão corporal dolosa, ameaças, falta de permissão ou habilitação para dirigir, um homicídio doloso na forma tentada e homicídio doloso. São mais de 25 passagens.

Em 11 de outubro de 2016, a 2ª Vara do Tribunal do Júri, em Rio Branco, determinou o prazo de cinco dias úteis para que fosse realizada perícia no vídeo em que o policial militar aparece sendo baleado durante uma abordagem. O objetivo, segundo o TJ-AC era detectar a autenticidade das imagens. O resultado da perícia foi divulgado em 14 de dezembro do ano passado e revelou que o vídeo não passou por edição.

O diretor do Instituto de Criminalista do Acre, Aleksandr Barros, explicou na época que a perícia analisou os "frames" do vídeo, ou seja, quadro a quadro da gravação, foi possível constatar que em certo momento o acusado tirou algo do colete do PM.

Porém, alega que não foi possível materializar a mão de Magalhães segurando a arma. Ele explica que o policial percebeu que Magalhães pegou algo do colete e segurou a mão do acusado.
Por Janine Brasil, G1 AC, Rio Branco