segunda-feira, 19 de junho de 2017

No AC, casal dorme em quartos separados devido ao ronco do marido

Vendedor sofre com apneia do sono, adenoide e desvio de septo. Juntos, os dois tentam superar o problema.
Há dez anos, o vendedor Sebastião Carvalhosa não consegue dormir direito devido ao ronco. Segundo os médicos, o ronco é resultado de uma série de problemas de saúde e Carvalhosa já é diagnosticado com apneia do sono, adenoide e desvio do septo. O problema é tão grande que interfere, inclusive, no seu relacionamento.

Casado há pouco mais de dois anos, atualmente, ele e a esposa dormem separados quase todas as noites.

“Dormir eu não durmo, porque passo a noite acordando. Acordo duas, três, quatro, cinco vezes à noite. E aí quando vem o sono, é porque já estou muito cansado, mas daí já é 6h, 6h30 e tenho que acordar para poder trabalhar. Ou seja, eu passo o dia cansado”, relata.

Mesmo dormindo em quartos separados, o casal decidiu e tentou várias formas de driblar o ronco juntos. As primeiras tentativas foram da mulher, a enfermeira Diany Helren

“Comecei a tomar remédio para dormir e conseguia dormir com ele, do lado dele. Só que engravidei. Então, depois passei para o fone de ouvido, eu usava com o celular bem alto, e a música, e ele aqui do lado, mas a música não dava. Aí a gente comprou um adesivo e nada, nada. Aí eu disse: ‘meu amor, vamos naquela loja de material de construção, tive uma ideia’. Era aquele protetor auricular daqueles caras que ficam na britadeira. Perguntei pro rapaz da loja se vedava mesmo o som e ele disse que era em 90%. Coloquei o protetor no ouvido e deitei, mas meu Deus do Céu, só entupia meu ouvido. Aquela coisa horrível e o ronco do lado”, relembra.

Diany conta que até fez usou uma fralda e tentou amarrar o maxilar do marido, de uma maneira leve, para ver se isso continha o barulho indesejável. Entre medo, noites sem dormir, brigas e muitas frustrações, agora o casal se prende ao que parece ser a última alternativa: uma intervenção cirúrgica.

Durante o namoro, a enfermeira conta que chegou a cronometrar quanto tempo o homem ficava sem respirar durante a noite e esse tempo chegava a 14 segundos. “A boca dele fica só aberta e a barriga dele para. Eu temo que ele sofra porque isso acontece frequentemente – paradas cardiorrespiratórias – com pessoas que tem apneia do sono e ele tem apneia do sono diagnosticada”, se preocupa.

Carvalhosa diz ainda que o sonho é voltar a dormir ao lado de Diany e não desistiu disso. “Se eu pudesse melhorar e ter um jeito de melhorar, e eu dormir com a minha esposa de novo, faria, Mas já que o caso é cirurgia, eu tenho que esperar”, lamenta.

Diagnóstico
Durante entrevista ao Acre TV desta segunda-feira (20), a otorrinolaringologista Rebeca Ribeiro explicou que o ronco é um fechamento parcial da via aérea superior. O fluxo de ar acaba se tornando turbilhonado e faz vibrar a estrutura da via aérea superior, gerando o ruído que conhecemos como ronco.

“É uma afecção bastante frequente e atrapalha bastante a vida dos pacientes e também dos familiares. O ronco pode acontecer desde a criança até o idoso – em todas as faixas etárias, mas realmente tem um perfil mais típico, que é o paciente do sexo masculino e com um excesso de peso. Mas, ele pode acontecer em qualquer pessoa”, pontua.

A especialista também explicou a diferença entre ronco e a apneia do sono.

“A apneia é a parada completa dessa via aérea superior, diferente do ronco, que é parcial. Então, na apneia, por uma disfunção neuromuscular dinâmica, acontece esse fechamento completo e a pessoa para de respirar de forma recorrente e é muito associada com o ronco. A maioria dos pacientes com apneia do sono ronca e geralmente é o ronco que leva esses pacientes a procurarem ajuda médica. Então, é importante saber se o paciente só tem ronco e ou se já desenvolveu a apneia do sono, que é muito mais grave”, esclarece.

Os pacientes podem se prevenir do problema com exercícios físicos e dieta, pois o aumento de peso contribui para que a pessoa desenvolva o ronco. Entre outras orientações, Rebeca destaca também que o álcool deve ser evitado. Existem vários tratamentos para o ronco e apneia, inclusive, a intervenção cirúrgica, mas é necessário o diagnóstico preciso para que as medidas sejam tomadas.
Por Acre TV, G1 AC, Rio Branco