sexta-feira, 25 de maio de 2018

PRF-AC diz que não vai retirar caminhoneiros de rodovias: 'movimento é pacífico', diz superintendente

Forças Armadas foram autorizadas a retirar caminhoneiros de estradas. No Acre, movimento segue para o 3º dia com BR-364, BR-317 e AC-40 bloqueadas.
PRF-AC diz que não vai tirar caminhoneiros de rodovias pois não há obstrução e movimento é pacífico (Foto: Reprodução/Rede Amazônica Acre)
Mesmo após a autorização do presidente Michel Temer para o uso das Forças Armadas para desbloquear as estradas, os caminhoneiros no Acre informaram que não vão sair das rodovias ocupadas.

A Polícia Rodoviária Federal do Acre (PRF-AC) informou, nesta sexta-feira (25), que não vai fazer a retirada dos caminhoneiros das rodovias BR-364 e BR-317.

Conforme o superintendente da PRF-AC, inspetor Cézar Henrique, o movimento no estado é pacífico e não há bloqueio total das vias. Por isso, não há razão para retirar os manifestantes do local.

“A gente orientou os caminhoneiros para eles somente parem os veículos nas margens da estrada. É um direito que eles têm de se manifestar. Mas, a partir do momento que eles coloquem em risco o direito de ir e vir dos demais motoristas, aí a gente vai ter que intervir”, afirmou o inspetor.

No Acre, o protesto de caminhoneiros segue para o terceiro dia. Além da BR-364 e BR-317, o Sindicato dos Caminhoneiros e Máquinas Pesadas do Acre informou que a entrada da Estrada Transacreana também foi bloqueada.

Os caminhoneiros fazem manifestações nos 26 estados e no Distrito Federal. A mobilização é contra a disparada do preço do diesel, que faz parte da política de preços da Petrobras em vigor desde julho de 2017.

Em pronunciamento, o presidente Michel Temer disse que o governo acionou forças federais para desbloquear as estradas. Na noite de quinta-feira (24), o governo federal e representantes de caminhoneiros anunciaram proposta para suspender a greve por 15 dias. Ainda assim, a paralisação continuou nesta sexta.

Segurança, saúde, postos, transporte
A Secretaria de Segurança Pública do Acre (Sesp-AC) informou que todos os procedimentos da área policial estão sendo realizados normalmente e que, por enquanto, a greve dos caminhoneiros não impediu nenhum procedimento.

Ao G1, a Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Ifraero) informou que no Acre, nos dois aeroportos (Aeroporto Plácido de Castro, em Rio Branco e Aeroporto Internacional de Cruzeiro do Sul, no interior), os voos estão operando normalmente.

A Secretaria de Saúde do Acre (Sesacre) informou que os atendimentos nos hospitais seguem normais e que não há falta de medicamentos e nem insumos.

O Sindicato dos Revendedores de Derivados de Petróleo do Acre (Sindepac) informou que em, pelo menos, oito postos da capital acreana está faltando gasolina e ao menos 4 desses informaram que estão sem etanol. O sindicato, não soube informar se há algum sem diesel.

A Ceasa informou que o abastecimento foi feito normalmente nesta sexta (25). O centro destacou que os caminhões estão indo buscar os produtos para as 44 feirinhas em bairros. Porém, disse que os caminhões dependem da situação de abastecimento e acredita que o governo tem um plano de contingência para evitar desabastecimento total.

Por prevenção, as empresas de transporte público de Rio Branco decidiram buscar medidas para reforçar os estoques de combustíveis. A informação foi confirmada novamente nesta sexta (25) pela Superintendência Municipal de Transportes e Trânsito (RBTrans).

O órgão informou que a frota de ônibus segue com 100% de funcionamento e que o serviço está normalizado. Porém, trabalham com medidas preventivas.

Em nota, a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado do Acre (Fecomércio/AC) disse que defende a paralisação dos caminhoneiros mesmo entendendo os prejuízos à economia. No Acre, a federação afirma que já se nota efeitos negativos no comércio e a probabilidade de escassez e falta nos estabelecimentos comerciais.

Praticamente todos os insumos consumidos no Acre chegam por transporte terrestre. Supermercados de grande rede possuem estoques de produtos secos variando entre 15 e 20 dias. Itens de hortifrutigranjeiros devem atender a população entre dois e sete dias.
Por Quésia Melo e Tácita Muniz, G1 AC, Rio Branco